EDITORIAL — Jackson Monteiro
Zona franca de Manaus
EEDITORIAL — Jackson Monteiro
Sobre a zona frança de Manaus eu acho sinceramente que já passou da hora de deixarmos de ser totalmente dependentes desse modelo econômico. A Zona Franca teve — e ainda tem — sua importância para o Amazonas, gerando empregos e movimentando a economia. Isso ninguém pode negar. Mas também precisamos ter coragem de discutir o futuro da nossa região.
Nós vivemos em um estado rico em biodiversidade, cultura e recursos naturais. O Amazonas possui um potencial gigantesco que muitas vezes é pouco explorado. Há alguns anos se falava muito na chamada “Zona Franca Verde”, em investimentos ligados à bioeconomia, aos produtos da floresta e ao desenvolvimento sustentável. Mas o tempo passa, os discursos continuam e pouca coisa realmente muda.
A verdade é que não podemos viver eternamente reféns de um único modelo econômico. Um dia a Zona Franca pode perder força, e aí fica a pergunta: como ficará a situação do nosso povo? O que teremos construído além da dependência?
O Amazonas poderia ser uma potência no setor de cosméticos naturais, medicamentos fitoterápicos, alimentos regionais, manejo sustentável, tecnologia ambiental e tantas outras áreas ligadas à nossa floresta. É possível gerar riqueza sem destruir a natureza. É possível plantar, replantar, produzir e preservar ao mesmo tempo.
O que falta não é riqueza. O que falta é planejamento, visão de futuro, coragem política e vontade de mudar.
Está na hora dos nossos representantes em Brasília começarem a pensar seriamente em um novo modelo de desenvolvimento para a nossa região. Um modelo que prepare o Amazonas para o futuro, que valorize nossas riquezas naturais de forma sustentável e que dê mais segurança econômica para as próximas gerações.
Porque sinceramente… eu não aguento mais ouvir que a única saída do Amazonas é a Zona Franca de Manaus, como se não existissem outras maneiras de crescer e sobreviver.
— Jackson Monteiro
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